quarta-feira, 14 de julho de 2010

Copa agora, só em 2014? Não, já começou!

Depois de algum tempo afastado deste blog, resolvo escrever. O fato de eu ter ficado sem computador foi um dos motivos que me fez ausente, assim como as pequenas teclas de um netbook e uma certa preguiça. Bem, mas lá vamos.

A Copa do mundo chegou, o espírito de nação tomou conta de todo território brasileiro, do Caburaí ao Chuí. Foram ruas pintadas, adereçadas; pessoas vestindo verde e amarelo da nossa seleção, cantando "com muito orgulho, com muito amor" a euforia de ser brasileiro; o comércio vendendo e lucrando muito com suas vuvuzelas, cornetas, perucas etc; os bolões em cada boteco, cada escritório, cada roda de amigos; os olhos grudados na tela...

Sabíamos que tínhamos um time limitado, com nossas estrelas longe de suas melhores formas, mas acreditávamos na conquista, afinal somos a seleção canarinho, a mais vencedora de todas, detentora do futebol arte, por onde já passaram tantos craques como Zico, Júnior, Sócrates, Romário, Bebeto, Pelé (Sua Majestade o Rei do Futebol), Dunga... Dunga? Pois bem, essa é uma outra discussão.

Torcemos, mesmo com todas as opiniões diferentes sobre escalação, convocação. Agora já era, restava-nos torcer e apoiar o elenco. Começamos como sempre, jogo nervoso, o mito da estreia, como se fosse uma maldição. Eram 190 milhões chutando, marcando, gritando e pedindo falta, xingando o juiz. Até que nossos recursos se esgotaram. Perdemos para um time que jogou melhor que nós num segundo tempo de total apagão de nosso selecionado. Voltamos para casa com aquela sensação de "de novo não, estávamos tão perto". Não, as coisas já começaram erradas em alguns pontos. Mas não me cabe julgar escolha de técnico por um jogador ou outro, culpa primeira foi de quem o colocou lá sem jamais ter tido qualquer outra experiência como comandante de um time. Mas tenho de aplaudir sua coragem em fazer um trabalho sério e coerente diante de sua ótica. Em 2006 não foi uma total bagunça, com jogadores sendo paparicados? Não queriam mudar? Pois bem, iniciou-se um ciclo de seriedade, concentração e coerência. A Globo tinha total liberdade de entrar a hora que quisesse, de fazer reportagens e entrevistas exclusivas com os jogadores, de tornar os treinos verdadeiros shows. Então nosso comandante toliu a emissora com a argumentação de que com toda essa invasão de privacidade, não haveria como executar treinos secretos, o que toda seleção na copa fazia. Acabou com a festinha dentro da concentração. E o que aconteceu? Começou a ser metralhado com críticas de todo o tipo. Não eximo de culpa o Dunga, sim ele foi mal humorado, grosso, indelicado. Mas estava sendo tudo aquilo que a própria imprensa pediu há 4 anos, que era moralizar e organizar coerentemente a seleção.

Sem Brasil para torcermos, escolhemos nossos vizinhos uruguaios, que não iam tão longe desde a copa de 70. Infelizmente nosso apoio não fez a Celeste Olímpica ir mais à frente e muito menos conquistar um 3º lugar contra a Alemanha. Nossa felicidade foi ver, no dia seguinte à nossa eliminação, a seleção argentina de Messi e Maradona dar tchau para o sonho do tri. Levaram um chocolate da mesma Alemanha de 4 a 0.
Tivemos de escolher entre Espanha e Holanda, nosso carrasco desta vez. Vimos um jogo de um time que toca muito bem a bola contra um outro que é movido por 2 jogadores. E eles não conseguiram se destacar, foram marcados e anulados. Enfim, víamos uma final inédita, de dois times que nunca tinham sido campeões; uma final sem Brasil ou Itália, ou Argentina, ou Alemanha. A Espanha agora entra no universo dos campeões mundiais, "com todos os méritos".

Agora, a próxima Copa é nossa, em nossa casa, no país do futebol. Volta-se ao templo sagrado, ao Olimpo desse esporte tão vivido por nós. Só que ao mesmo tempo vem o sentimento de dever, de obrigação de conquistarmos esse campeonato. Tivemos uma chance em 1950, desperdiçada. Uma grande comoção, uma enorme frustração que nos faz temer qualquer possibilidade de nossa seleção falhar diante de seus súditos torcedores; um novo Maracanazo. Por isso, desde já o trabalho deve começar a ser feito com muita seriedade, concentração, renovação e devoção. Vamos buscar nossa essência, o que nos fez ficar conhecidos mundialmente: nosso futebol arte, moleque, garoto, fino, leve, porém objetivo, direcionado ao gol, ao resultado. Quem sabe assim o noso tão sonhado hexa venha dentro de nossa casa, no conforto de nossas arquibancadas. Que venha 2014!